Wednesday, March 21, 2007
Wednesday, January 31, 2007

Sempre achei curioso como, à medida em que conhecemos alguém e vamos aprendendo a gostar da pessoa, ela acaba se tornando mais bonita aos nossos olhos. É como se o gostar, o sentimento de querer bem, de admirar, apreciar, fosse uma lente que nos dá o poder de enxergar melhor, além do que se vê superficialmente, da aparência. É algo mágico, que não tem muita explicação, mas que sempre me encantou.
Essa comparação me lembra os vários exames de vista que já fiz. Além de míope, ganhei também no pacote o astigmatismo, que resolveu aparecer em alto grau justo quando o outro problema se estabilizou. No exame, o oftalmologista coloca um instrumento na altura dos olhos - um misto de binóculo com óculos gigante - e nos pede para ler as letras no quadro. Então, ele vai colocando lentes diferentes de cada lado e pergunta: Está melhor assim ou assim? Essa lente é melhor do que aquela? Não sei vocês, mas confesso que muitas respostas foram no chute, porque não conseguia mais distinguir, a um certo ponto, o que representava uma melhora mais significativa.
É gostoso perceber a transformação que os sentimentos vão provocando e que não há creme ou tratamento mais poderoso do que um sorriso amigo, um abraço, um elogio, uma palavra de carinho. Ou as afinidades que vamos descobrindo, as palhaçadas que tornam a noite mais sem graça um programa super divertido e as lágrimas repartidas que aproximam e confortam. Porque, no fim, são todas essas coisas que fazem a vida ganhar sentido e valer a pena e não uma barriga sarada, um cabelo de comercial de xampu ou corpos perfeitos como os das revistas.
Tuesday, January 23, 2007

Hoje eu só queria brincar, sentir-me leve. Ir ao bar perto de casa comprar chiclete e achar que isso é uma grande aventura, ao ver aqueles homens falando alto e tomando suas cervejas. Com suas caras meio assustadoras, como os vilões dos contos de fada devem ter: rugas, marcas, cicatrizes, falta de cabelo, rosto "amassado", maltratado, de quem já viveu muitos anos.

Me preocupar apenas em ganhar no jogo de amarelinha, conseguir me equilibrar para não encostar na linha, passar para a próxima casa e, com sorte, chegar primeiro ao céu.

Criar histórias, cheias de romance, filhinhos, muitas roupas, carros, uma casa bacana, com as minhas bonecas. E sonhar que um dia eu terei tudo aquilo de verdade e serei adulta, bonita, segura e feliz, muito feliz.
Brincar no balanço e ter a sensação de voar, de chegar cada vez mais alto. Sentir um friozinho na barriga porque sempre há o medo da queda, mas arriscar e pegar mais impulso para ver até onde dá para ir.

Abraçar meu ursinho preferido, tão fofo, macio, aconchegante e até dormir com ele, se a alergia deixar. Ah, é tão bom ser criança! Por que a gente cresce e complica tudo? Por que as coisas parecem sempre ser mais difíceis pra gente? Por que? Por que?
Sunday, January 21, 2007

Em resposta a uma amiga distante, sentiu o gosto amargo formando-se à medida que escrevia. "As papilas gustativas da ponta da língua detectam os sabores doces; as laterais, os sabores salgados e ácidos; e as da parte posterior da língua, os sabores amargos (Manual Merck)".
__ Hum... Nem sabia que estava assim hoje....
A vinda que não se concretizou, o fim de semana pacato, os filmes que decepcionaram, a fome que insiste em aparecer em sua sabe-se lá X tentativa de fechar a boca e emagrecer. A mãe preocupada vem perguntar se não vai comer mais nada. Diz que não é assim que se faz, que ela tem que fazer exercícios, caminhar no calçadão, pelo menos, que tem que se reeducar - a ladainha de sempre.
__ Calma aí, se não esquento com o meu peso e os muitos quilos a mais, reclamam. Não são nem um pouco sutis em suas observações e dizem que tenho que me cuidar, que tenho que gostar de mim. Agora que botei na cabeça a idéia e estou tentando, falam que não é bem assim e fazem aqueles pratos irresistíveis - macarrão aos quatro queijos, churrasco, farofa. Eu que sei a dificuldade de segurar a vontade louca e gorda de comer pizza, chocolate, salgados, de tomar um sorvete e todas essas coisas proibidas. Quer saber, foda-se. Não sou louca e sei que se ficar sem comer vou passar mal, vou virar anoréxica, esse papo todo.
A verdade é que os resultados demoram e as insatisfações vão continuar. Verão, praia, piscina, ela passa longe disso. Sempre vem com aquela farsa de não gosto disso, mas o terror de colocar um biquíni, a raiva e a inveja de ver as lindas, magras e saradas... Não, ela não agüentaria. Pelo menos, hoje não. E vão dizer que isso é bobagem, que ela não pode ser assim, mas é muito fácil falar e julgar. Principalmente porque a maioria que diz isso, não tem o mesmo problema, não sabe como é. Como a mãe, a irmã, deus e o mundo.
__ Pronto, falei. Estou parecendo uma psico, uma louca que não tem auto-estima, obcecada, mas não sou assim. Acreditem ou não.
Por que as pessoas nos filmes, as celebridades, os outros, têm vidas tão interessantes? São tão autênticos, cheios de histórias, dores, amores, amigos, diversão, e fazem a gente se sentir pequenininho, pequeninho. Sem graça, chato, politicamente correto, sem sorte.
__ Hein? Me diz porquê, me explica, tenta me convencer do contrário. Me abraça. Por que tantas neuras? Por que a gente é assim? E que se dane se os porques estiverem escritos errado, porque eu não sei mesmo qual a regra de uso dos porques.
Cadê o meu jardim? Ela lembra da peça que a amiga assistiu em BH, que ela ficou com vontade de ver também, ao ouvi-la contar. Ca-dê-o-meu-jar-dim?
__ Explico: essa pergunta seria, pelo que eu pude entender e como eu quero que seja aqui, cadê a minha parte boa, quando chegará a minha hora, a hora de ser feliz?
E a compra que a deixou em dúvida, mas acabou não resistindo. Um DVD. Foi só instalar para ele perder todo o seu valor. Para surgir a dúvida: ela precisava mesmo disso? Não poderia ter esperado?
O filme "Anjos do Sol", crianças sendo corrompidas, machucadas, humilhadas, destroçadas, para satisfazer os desejos dos homens, doentes. Como isso pode acontecer??? Onde vai parar a humanidade? Estamos nos destruindo e parece não ter mais volta.
A falta do que fazer, a solidão, os problemas que a gente insiste em criar e o velho ditado: cabeça vazia, oficina do diabo.
Sunday, September 17, 2006

No aeroporto
Encontro uma fotógrafa que me pergunta: veio se despedir da sua amiga? Eu: Vim. Ela: Então é melhor você correr porque ela estava entrando na sala de embarque. Pânico. Eu sabia que devia ter ido mais cedo, mas me distraí no shopping. Culpa. Tudo bem que eu fui lá para comprar um presente para ela, mas acabei, claro, como sempre, levando algo para mim e gastando o que não devia. Encontro então uma repórter. Não queria ser mal educada, mas queria cortar o papo e procurar a Ju. E então eu a vejo vindo com a irmã do lado. Alívio. Felicidade. Eu era a única amiga por lá. A irmã me conta que ela não parava de se perguntar onde eu estaria. Ela já estava achando que eu não iria e enviaria um e-mail me explicando. Ju me abraça, chora, chora, e me diz coisas bonitas. Porque ela consegue dizer as coisas nos momentos certos, tem a palavra de consolo, de conforto, a palavra querida. Elas ficam botando pilha para que eu também vá para o exterior. Esperamos a última chamada para que ela embarque. O último abraço. Chora a mãe, que vinha segurando. Chora a irmã e choro eu. Mas eu sou meio sem jeito para expressar meus sentimentos. Ahhhhhhh, despedidas são horríveis! A cena clássica da pessoa que vai subindo a escada do avião e os que ficam vendo pela grande janela de vidro, acenando, mandando beijos e se lamentando, torcendo para que tudo dê certo. Fica a saudade. E agora, há que se acostumar.
No trabalho
Me ligam às 8h30 e dizem que é para eu ficar em Cidades porque a fiscalização do Ministério do Trabalho vai lá. Ok, tava sentindo falta da 'minha' editoria. Achei bom. Quando chego e vou conversar com a editora nova, de onde estou neste mês, ela me diz que é para eu trabalhar em casa e que é para eu pedir um carro da empresa para me levar. Me senti a imigrante ilegal, algo assim. O trabalho em casa rendeu bastante. Fiz quatro matérias. No outro dia, me chamam no RH. Mas era só contrato temporário. Bom, pelo menos agora vou ter vale transporte. Minha mãe me gasta quando conto a ela e pergunta se vou me sujeitar a isso e blá blá blá. Eu entendo a preocupação dela e concordo em partes e digo: Você acha que eu tô feliz com essa situação?. No outro dia, avaliação psicológica. Como eu queria ver o resultado! E aqueles testes de lógica - quebrei minha cabeça. Dizem que vem coisa boa por aí. Tô acreditando. Só espero que não esteja sendo iludida. E a fiscalização? Não foi.
No rock
Conhecidos, desde que saltamos do carro. Hum... Acho que isso vai ser bom. Uma ice antes de entrar. Volta de reconhecimento. Conhecidos, conhecidos. Samba, samba, muuuito bom! E danço, danço, caipivodka, caipivodka, alegria, alegria. Espírito periguete aparece, mas fica por isso mesmo. Diversão até às 4h, no Morro dos Alagoanos. Adorei. Vidaloucavida.
No trabalho II
Matéria mais ridícula de todos os tempos, então, vamos encarar como diversão. O cruzamento entre um pequeno yorshire e a grandona pitbull. E os filhotes brincam, latem, meio feinhos, não páram quietos. E como se consegue uma boa foto assim? A mãe se solta e ataca o filho e é difícil segurar, é muito forte a danada. Medo! Mas, deu tudo certo e no final eu já estava achando até legal. Tentei dar um ganho na história no texto. Espero que tenha dado certo. E essa é apenas uma das pautas que você nunca pensou que ia ter que fazer na vida. Ah, e teve também telefone errado na pauta de concurso público, em pleno domingo. E um carro só com motorista prara três repórteres. Eu estava com ele e fiquei preocupada com as minhas colegas. Essa desorganização, condições de trabalho aquém do necessário... Bom, aí a gente se vira, atrasa tudo, sai tarde e vale a pena. Isso que é mais engraçado.

Amor, Meu Grande Amor
Barão Vermelho
Composição: Angela Ro Ro e Ana Terra
Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcadaAssim como as canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada
Me venha sem saber se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor, me chegue assim bem de repente
Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente
Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim até o começo
Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça
E quando me quiser que seja de qualquer maneira
Enquanto me tiver que eu seja a última e o primeiro
E quando eu te encontrar, meu grande amor, por favor, me reconheça
Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim até o começo
----> Só porque essa música é linda e eu comprei dois cds maravilhosos do Barão Vermelho, por um precinho camarada
Friday, September 08, 2006
Monday, September 04, 2006

Agora são outras pessoas sentadas ao meu lado, com quem eu mal conversava até então. São outras obrigações, outro ritmo, horário diferente. Primeiro dia a gente sempre fica sem jeito. São muitas as dúvidas e dá um pouquinho de vergonha e insegurança de perguntar, mas não deixei passar nenhuma questão. Fica aquele estranhamento, o não saber o que fazer, não ter tanto assunto nem intimidade para conversar. Mas o gosto do desafio, da novidade, do estar mais perto de uma área em que eu sempre tive vontade de atuar, é bom demais. Espero que dê tudo certo (vai dar!) nesse mês. Aliás, setembro começou com uma super festa, música boa, clima de "dance, dance, dance, sem parar", novo sabor na boca, mas o mesmo velho discurso batido, assim mesmo, pleonástico, para ressaltar. E, detalhe, antes de qualquer coisa, vieram as palavrinhas 'mágicas': "não me apego a ninguém". Daí, para a fase boa, depois a do "eu não quero ver você triste", saltando para uma mais desagradável do tipo "estou me achando"(até que ponto era brincadeira? até que ponto era a bebida? enfim...), fechando com um, ahn, choque de vontades. Do início doce para o final amargo, mas ainda assim, bem palatável. Dia seguinte de bobeira no calçadão, como há tempos não fazia, encontro casual com o moço da noite anterior, pizza e sorvete com as amigas. Aproveitando bem os últimos momentos do trio, antes da viagem. Setembro, setembro, que começo hein, meu caro? É tudo novo de novo.







